Encontro na Câmara Municipal de Americana coleta depoimentos para obra sobre 100 anos do Legislativo, reforçando o papel da mulher no Legislativo na política local
A Câmara Municipal de Americana recebeu na terça-feira, 11, um grupo de vereadoras e ex-vereadoras para um bate-papo sobre a importância da mulher no Legislativo e o impacto dessa presença na política local. O encontro, organizado pela TWO Produções Culturais, reuniu relatos, memórias e experiências que irão compor um capítulo especial do livro do centenário do Legislativo americanense, a ser lançado em dezembro de 2025.
Conduzida pelo autor Orestes Camargo Neves, a conversa alimentou o projeto editorial Câmara Municipal de Americana: 100 anos de muita história (1925-2025), que busca registrar, com detalhes, a contribuição feminina para a vida pública da cidade. Ao dar voz a diferentes trajetórias, o encontro evidenciou como a mulher no Legislativo fortalece a representação, diversifica olhares e amplia a qualidade do debate político.
Participaram da roda de conversa parlamentares da 19ª Legislatura, além de ex-vereadoras que marcaram época na Casa, consolidando uma narrativa plural sobre conquistas, desafios e aprendizados, sempre com o foco em estimular mais mulheres a ocuparem cadeiras na Câmara e a fazerem da política um instrumento de transformação.
Vozes que abriram caminho na representatividade feminina
Primeira mulher eleita vereadora em Americana, Maria Inês da Silva resgatou um período com menos recursos e mais obstáculos. Nas palavras dela, “No meu tempo não tinha nem computador, era um desafio. Mas é aqui na Câmara que começam os voos maiores”. O testemunho reforça a dimensão histórica de sua atuação e inspira novas gerações a persistirem na vida pública.
Lurdinha Ginetti destacou a evolução da presença feminina, relacionando a continuidade dessa participação à consolidação da democracia na cidade. “Depois de mim, nunca mais tivemos uma Câmara sem mulher. Hoje somos cinco, um avanço inegável”, afirmou, sublinhando como a mulher no Legislativo deixou de ser exceção para se tornar uma realidade cada vez mais sólida.
Para Divina Bertalia, a contribuição feminina passa também por uma dimensão sensível do fazer político. “A gente sente, vê e ouve diferente. E isso é bom, é fundamental em um ambiente legislativo”, disse, valorizando a diversidade de olhares como fator de qualidade na elaboração de leis e no controle do Poder Executivo.
Maria Giovanna Luchiari enfatizou a força da fiscalização e da investigação, lembrando sua atuação em uma Comissão Especial de Inquérito. “Passei metade do mandato mergulhada em uma CEI que desmantelou uma quadrilha no Hospital Municipal. Isso me fez uma política melhor”, apontou, evidenciando a relevância do trabalho técnico e persistente dentro da Câmara.
A força da atual legislatura e o salto qualitativo
Entre as parlamentares em exercício, a tônica foi reconhecer o caminho aberto por pioneiras e reafirmar metas para ampliar a participação da mulher no Legislativo. Para Roberta Lima, a presença coletiva fortalece a atuação. “Nós estamos em cinco, mas as portas foram abertas por cada uma das que vieram antes. Ter mais quatro mulheres na Câmara me dá muita força”.
Leonora Périco, primeira mulher reeleita para o Legislativo local, comemorou o avanço de mulheres na política e a convivência plural no plenário. “Relembrando meu primeiro mandato até agora, vejo como a mulher avançou na política. Somos todas mulheres, cada uma com um pensamento, mas com o mesmo respeito”.
Thalita De Nadai definiu a política como ponte, defendendo foco na transformação concreta da vida das pessoas. “Lutei para estar aqui como ponte entre o Executivo e a população. A política é para mudar a vida das pessoas”, pontuou, alinhada à ideia de servir ao interesse público com resultados.
Jacira Chávare compartilhou a própria trajetória, movida por referências familiares e persistência. “Depois de três tentativas, consegui. Meu maior sonho é ver 8 a 10 mulheres eleitas, mostrando que mulher dá certo na política”, afirmou, reforçando a necessidade de ampliar candidaturas femininas e garantir espaço nas urnas.
Em segundo mandato, Professora Juliana destacou que o próximo passo é qualificar ainda mais a atuação feminina. “Se demos um salto quantitativo, agora é hora de dar um salto qualitativo. A política é servir ao interesse público”, disse, sintetizando a ambição de consolidar políticas, fiscalizar com rigor e representar com eficácia.
Livro do centenário e legado da mulher no Legislativo
Ao final do encontro, o autor Orestes Camargo Neves ressaltou a radiografia atual da Câmara Municipal de Americana, sublinhando a representatividade feminina acima da média. “A Câmara Municipal de Americana ultrapassa a proporcionalidade nacional, tendo cinco vereadoras entre as dezenove cadeiras da Casa, o que representa pouco mais de 25%. A elas teremos uma justa homenagem em nosso livro”.
O material colhido, composto por depoimentos, memórias e experiências, integrará um capítulo dedicado à participação feminina na política dentro do livro do centenário, com lançamento previsto para dezembro de 2025. A iniciativa, conduzida pela TWO Produções Culturais, pretende fixar para o público a trajetória de conquistas, a pluralidade de ideias e o impacto da mulher no Legislativo na construção de políticas públicas locais.
Ao celebrar um século de história, Americana reconhece o protagonismo das suas lideranças femininas. O diálogo entre generaciones, somado ao registro documental, sinaliza um legado duradouro, capaz de incentivar novas candidaturas, diversificar a representação e ampliar o alcance da representatividade feminina no parlamento.