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Goteira na UTI do Hospital Municipal de Americana, sob gestão da Chavantes, expõe falhas e acelera plano de reforma do telhado

Após goteira na UTI, pacientes relatam sujeira e escorpiões, enquanto a Chavantes remaneja a ala, promete limpeza reforçada e levanta recursos para reforma definitiva

A goteira na UTI do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana, reacendeu críticas à gestão do Grupo Chavantes e colocou em discussão a urgência de uma reforma definitiva do telhado. Pacientes da Unidade de Terapia Intensiva precisaram ser transferidos por conta da infiltração, o que expôs problemas estruturais e de manutenção, inclusive após a revitalização do setor realizada há dois anos.

A situação foi levada à tribuna da Câmara no início de novembro, quando os vereadores Gutão do Lanche, do Agir, e Renan de Angelo, do Podemos, relataram denúncias de goteira na UTI desde agosto, associadas às obras no telhado. Três semanas depois, o tema voltou ao plenário, com cobrança direta à gestora pela resolução do problema.

Transferências na UTI e resposta da Chavantes

Diante das chuvas e das infiltrações, pacientes foram deslocados para outro setor do hospital. Em nota, a Chavantes informou que toda a ala da UTI foi remanejada provisoriamente para garantir atendimento. A empresa afirma que o serviço está mantido, citando que o remanejamento ocorreu, segundo a gestora, “garantindo pleno funcionamento e segurança”.

Na Câmara, a pressão por soluções aumentou. O vereador Gutão cobrou providências e relatou registros feitos por parlamentares: “Espero que tomem todas as providências para resolver os problemas, inclusive do telhado. Vários vereadores receberam vídeos de pacientes da UTI sendo levados para outra sala quando chove por causa da goteira. Sabemos da dificuldade, mas não podemos aceitar isso”.

A Chavantes informou ainda que está em andamento “um levantamento técnico para captação de recursos destinados à reforma definitiva”, sem detalhar cronograma ou valores. O objetivo é solucionar de forma estrutural o ponto crítico que causou a goteira na UTI, tema que ganhou centralidade nas cobranças do Legislativo e de usuários do sistema.

Relatos de sujeira e escorpiões acendem alerta

Além do problema no telhado, moradores e acompanhantes de pacientes relataram sujeira, falhas de higienização e até presença de escorpiões em áreas do hospital. Nas redes sociais, os depoimentos refletem indignação. “Caos. A pior coisa foi a terceirização do HM , deveria ter entregue ao Estado. Que calamidade”, escreveu Ingrid Marco.

Outra moradora, Rosângela Oliveira, criticou a rotina de limpeza: “Horrível, só quem passou três meses lá sabe o que acontece, as negligências. Tive que pedir prá limpar o quarto, fazia dois dias que não era limpo, depois de tanto pedir foram limpar 1h da manhã”.

Angélica Santini citou escorpiões ao lado de queixas por demora no atendimento: “Além da demora em tudo, as coisas só funcionam se você brigar, senão eles deixam o paciente largado! Estou com a minha vó no hospital desde agosto por conta de uma hiponatremia, já achei 2 escorpiões no quarto dela! O ambiente é muito sujo, tudo encardido, tudo caindo aos pedaços! Péssimo!”.

Procurada, a Chavantes declarou manter rondas contínuas de higienização, limpeza terminal nas áreas críticas e dedetização periódica por empresa especializada. A gestora acrescentou que “Situações pontuais são tratadas de forma imediata”.

Tempo de atendimento, reforma e novas denúncias sob análise

Em paralelo às críticas pela goteira na UTI e à discussão sobre a reforma do telhado, a Chavantes apresentou um indicador de desempenho no Pronto-Socorro Adulto. Segundo a empresa, o hospital registrou “uma redução de 56 minutos no tempo médio de atendimento do Pronto-Socorro Adulto, caindo de 173 para 117 minutos entre outubro de 2024 e outubro de 2025”. De acordo com a gestora, a unidade passou a operar abaixo dos tempos de referência do Protocolo de Manchester, padrão internacional usado em serviços de urgência.

A empresa atribui a queda do tempo de espera a ações como reorganização de fluxo, implantação do Fast Track, aplicação da metodologia Lean e reforço da escala médica nos horários de maior demanda. Questionada sobre a possibilidade de contratar mais profissionais, a gestora respondeu que o quadro de colaboradores passa por avaliação permanente, “com ajustes conforme a demanda assistencial”.

As queixas, porém, não se restringem à manutenção e à goteira na UTI. A moradora Dirce Guedes acusou o hospital de erro em procedimento cirúrgico: “Fui fazer a retirada de uma carcinoma, o médico cortou em outro lugar e deixou o carcinoma. Fui na ouvidoria, até agora estou esperando a resposta do assunto e a remarcação da nova cirurgia no lugar certo. Um descaso com os pacientes”.

Em resposta, a Chavantes afirmou: “O cirurgião identificou duas lesões, sendo necessária a retirada prioritária daquela de maior complexidade e potencial risco à paciente, localizada na região infraclavicular esquerda. A lesão foi removida e encaminhada para análise patológica, conforme os protocolos de segurança assistencial”. A empresa acrescentou: “A cirurgia complementar mencionada pela paciente já está em processo de agendamento, e a equipe do hospital está acompanhando o caso para garantir que tudo ocorra da melhor forma possível”.

Outro usuário, Hercules Sass, relatou dificuldade com documentação médica: “A Chavantes perdeu meu prontuário de internação, estou com a perna caindo”. A gestora declarou que “todos os protocolos de solicitação de prontuário médico foram devidamente atendidos e entregues” e completou: “Todas as solicitações foram integralmente cumpridas dentro dos prazos estabelecidos, encontrando-se assim plenamente regularizadas perante os requerimentos protocolados”.

Enquanto a goteira na UTI segue como símbolo das fragilidades estruturais e a reforma do telhado é tratada como prioridade, a gestão do hospital tenta conciliar a manutenção dos serviços, as demandas por limpeza e segurança e a melhoria contínua de indicadores. A população aguarda definições sobre prazos e investimentos, à espera de estabilidade e qualidade no atendimento.

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