Caso de abuso escolar motiva vereadores a exigir monitoramento por câmeras, revisão de protocolos e apuração de problemas no Hospital Municipal gerido pela Chavantes
A sessão mais recente da Câmara de Americana foi marcada por discussões intensas sobre segurança nas escolas, saúde pública e acessibilidade urbana. O caso de abuso escolar envolvendo a prisão de um vice-diretor de um colégio no Cidade Jardim, sob suspeita de abuso sexual, acendeu o alerta entre os parlamentares, que cobraram a instalação de câmeras de monitoramento e protocolos mais rígidos de proteção. Ao mesmo tempo, novas denúncias contra a Chavantes, organização responsável pela gestão do Hospital Municipal de Americana, ampliaram o debate sobre a qualidade do atendimento na rede pública.
Além de segurança e saúde, a pauta incluiu críticas à infraestrutura urbana, com foco em acessibilidade, e questionamentos à atuação da Vigilância Sanitária no comércio local. O clima foi de cobrança por respostas concretas do Executivo e de empresas responsáveis por serviços essenciais.
Segurança nas escolas: câmeras e protocolos sob pressão após caso de abuso escolar
O caso de abuso escolar desencadeou uma forte mobilização por medidas preventivas. O vereador Paulo Eduardo, o Juninho (PSD) cobrou ações imediatas, defendendo a instalação de câmeras em espaços com crianças. “Tem que ter câmeras em todos os lugares onde têm crianças. Não só na escola. E se tiver que divulgar cada escola particular que não quer fazer isso, vamos fazer”. Para ele, o monitoramento é um passo urgente para coibir e investigar violações.
No mesmo sentido, Jean Mizoni (Agir) reforçou a necessidade de protocolos consistentes e permanentes. “As escolas precisam de protocolos reais de segurança, com fiscalização e trabalho contínuos de prevenção ao abuso sexual”. A cobrança mira tanto a rede pública quanto a rede particular, com foco em prevenção, fiscalização e responsabilização.
A vereadora Professora Juliana (PT) também destacou a importância do monitoramento por câmeras e de medidas integradas de proteção, alinhadas a boas práticas de gestão escolar e políticas públicas de prevenção. Para os parlamentares, o caso de abuso escolar precisa ser um ponto de virada na segurança das unidades de ensino de Americana.
Rede de proteção à mulher: fragilidades no atendimento e pedido de ações
Na pauta de direitos das mulheres, a Professora Juliana (PT) questionou a qualidade do atendimento municipal às vítimas de violência. Segundo a vereadora, o material produzido pela Prefeitura tem lacunas e não contempla diferentes formas de violação. “A Prefeitura estava desde 2021 fazendo um guia para a rede de atendimento, mas entregou com fragilidades. O fluxo apresentado pelo Executivo não trata de formas de violência contra a mulher como a auto violência, a violência digital, a violência política e a violência inconstitucional. Faltam estratégias para lidar com essas violências e de busca ativa para relatos das vítimas”.
Ela pediu atenção também às jovens, defendendo busca ativa, capacitação de equipes e integração entre saúde, assistência social e educação. A cobrança se soma ao debate sobre o caso de abuso escolar, reforçando a necessidade de uma rede de proteção mais eficiente e acolhedora para mulheres e adolescentes.
Saúde e serviços públicos: denúncias contra a Chavantes, fiscalização sanitária e acessibilidade
Os serviços de saúde voltaram a ser alvo de críticas contundentes. O vereador Gutão do Lanche (Agir) fez novas denúncias contra a Chavantes, responsável pela gestão do Hospital Municipal. “Empresa terceirizada que vem trazendo grandes problemas e respostas que não são verdade. Sou muito procurado sobre vários problemas. Paciente tem que implorar por maca e cadeira de roda, tem que arrancar de um para dar para o outro. Vários relatos de sujeira, a população merece uma saúde digna. Infelizmente tenho que agendar pra fiscalizar lá, mas não vou parar de pegar no pé. Chegou um paciente para tomar injeção com a perna amputada e não tinha uma maca, teve que deixar um sem para dar cadeira de rodas pro outro. Diretores da Chavantes, olhem com atenção para o Hospital Municipal”.
Na fiscalização do comércio, Paulo Eduardo, o Juninho (PSD) criticou a atuação da Vigilância Sanitária e apontou contradições no tratamento a grandes empreendimentos. “Açougue do Zanaga, mais de 500 quilos de carne podre, retiraram e no outro dia já estava aberto. Supermercado gigantesco na região, alimentos vencidos. Não pode retirar dos mais humildes e deixar os empresários mais ricos trabalhando. Se eu tivesse poder, eu retirava a licença desses locais. Está acontecendo em vários lugares de Americana. E o que vai ser feito? Precisa de mais seriedade e responsabilidade com a população. Não adianta fazer todo esse escarcéu e no outro dia eles abrirem normalmente”. A fala reforçou a cobrança por rigor regulatório e punição efetiva.
A acessibilidade urbana também entrou em pauta com a manifestação de Renan de Angelo (Podemos), que relatou problemas nas calçadas no Jardim Girassol. “É um passeio público sem condições em ambas as ruas. Não é um buraco. São várias pedras da calçada soltas. Fizemos indicação faz tempo e até agora nada, por isso fiz o requerimento. Ontem mesmo lançamos o Americana Inclusiva em defesa da acessibilidade. Ali as ruas não têm condições para um idoso, que dirá para o cadeirante. Precisamos de uma ação urgente. Chega o IPTU com o aumento e o morador se pergunta quanto foi aplicado na cidade. Espero uma resposta”.
No campo da segurança, a Professora Juliana (PT) cobrou reunião com o comandante da Gama, Marco Aurélio da Silva, para discutir o impacto de guardas em escolas, tema diretamente conectado ao caso de abuso escolar. “Faço um apelo para ser recebido, o comandante disse que não consegue esse ano, já me deu boas férias, mas eu ainda não tô de férias e sei que ele também não”. Em defesa do comandante, Thiago Brochi (PL) relatou a sobrecarga de agendas no fim do ano, e Marcos Caetano (PL) apresentou pedido de vistas ao requerimento, movimento que foi respondido pela própria vereadora com vistas a todos os requerimentos do dia, ambos acatados conforme o regimento.
A sessão explicitou a pressão por respostas rápidas e efetivas do poder público e de gestores contratados, com foco em segurança nas escolas, proteção às mulheres, melhorias no Hospital Municipal e acessibilidade. A expectativa é que as cobranças avancem para planos de ação, especialmente após o caso de abuso escolar que levou o tema de monitoramento por câmeras e prevenção a ocupar o centro do debate em Americana.