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Operação Coffee Break: Hortolândia e Sumaré não detalham contratos com a Life Tecnologia Educacional, enquanto PF cumpre mandados e detém vice-prefeito

Sem informar valores e datas, prefeituras confirmam contratos de material de robótica com a Life, e a Operação Coffee Break apura supostas fraudes em licitações e desvios na educação

As prefeituras de Hortolândia e Sumaré não divulgaram, até o final da tarde desta quarta-feira, detalhes como valores e datas de compras ligadas aos contratos com a Life Tecnologia Educacional, empresa sediada em Piracicaba e alvo da Operação Coffee Break, conduzida pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Militar de São Paulo. A investigação mira supostas fraudes em licitações, possíveis desvios de recursos da educação e irregularidades na contratação de materiais didáticos, especialmente kits de robótica, para redes municipais.

Segundo a PF, a ação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão, expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal de Campinas, em cidades de três estados. Desse total, 19 ocorreram na região, incluindo endereços em Hortolândia, Piracicaba e Limeira, além de buscas nas sedes das prefeituras de Hortolândia e Sumaré. A Operação Coffee Break aponta possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.

Na manhã desta quarta-feira, agentes federais estiveram na sede da Life Tecnologia Educacional, em Piracicaba, de onde saíram com um grande volume de documentos. A empresa informou que não iria se manifestar sobre as apurações.

O que se sabe sobre os contratos com a Life Tecnologia Educacional

Em Hortolândia, a secretária de Assuntos Jurídicos, Silvania Anízio da Silva, confirmou que os policiais federais tiveram acesso ao processo administrativo referente ao contrato com a Life Tecnologia Educacional Ltda, que atualmente fornece material paradidático na área de robótica para a rede municipal. Ela afirmou que “O contrato está ativo”, mas disse não saber se houve aquisições recentes por meio desse instrumento.

A secretária ressaltou que não havia, até então, abertura de investigação interna sobre o contrato. “Estamos pedindo uma cópia do procedimento de investigação (da PF) para termos acesso e sabermos realmente do que se trata. Vamos aguardar esse acesso para podermos informar”. Silvania enfatizou ainda que todos os contratos municipais, inclusive com a Life, “estão de acordo com a Lei Federal nº 14.133 (a nova Lei de Licitações e Contratos)”. Segundo ela, “Tudo é feito por pregão, por concorrência, e todos os nossos procedimentos (de compras) estão de acordo com a legislação vigente”.

A administração municipal de Hortolândia não respondeu aos questionamentos sobre valores e datas de compras realizadas com a companhia. A Operação Coffee Break segue reunindo documentos para cotejar as supostas irregularidades em contratos de material didático e serviços educacionais.

Prisão do vice-prefeito e andamento da investigação

A Operação Coffee Break resultou na prisão do vice-prefeito e secretário municipal de Governo de Hortolândia, Carlos Augusto Cesar, o Cafu (PSB), de 63 anos. A PF não detalhou, até o momento, qual seria a suposta participação do vice-prefeito no esquema investigado. Até as 16h de quarta-feira, Cafu seguia detido na sede da PF em Campinas.

A defesa, representada pelo advogado Ralph Tortima Filho, buscava acesso aos autos e aguardava a realização da audiência de custódia na Justiça Federal de Campinas, que definiria se a prisão seria mantida ou relaxada. Esse desdobramento é um dos focos de atenção da Operação Coffee Break, que também apura a eventual participação de agentes públicos em cada município investigado.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. A análise de documentos apreendidos, tanto nas prefeituras quanto na sede da Life Tecnologia Educacional, deve nortear os próximos passos da investigação.

A situação em Sumaré e a apuração interna

Em Sumaré, o secretário de Justiça, Valdemir Moreira dos Reis Junior, disse que foram recolhidos documentos relativos a contratos da Secretaria Municipal de Educação com a Life para fornecimento de material de robótica, “dos anos de 2020 pra frente”. Segundo ele, desde o início de 2025 não houve novas compras pela atual gestão. Reforçando essa posição, afirmou: “Nenhuma compra. Esta gestão, assim que tomou posse, não deu continuidade neste contrato. Sobre ele, inclusive, existe uma sindicância aberta pela Secretaria de Educação desta gestão que está apurando a lisura deste contrato”.

Questionada, a Prefeitura de Sumaré também não apresentou valores e datas de aquisições junto à Life Tecnologia Educacional. Em paralelo, o ex-prefeito Luiz Alfredo Dalben divulgou nota em que afirma ter tomado conhecimento das ações pela imprensa e que não recebeu notificação, “nada constando contra sua pessoa”. Na mensagem, acrescentou: “Reforça ainda que, durante sua gestão, o trabalho sempre foi orientado e pautado pelos princípios da legalidade e moralidade. O ex-prefeito coloca-se à disposição para colaborar com as autoridades e segue confiando na Justiça”.

A Operação Coffee Break mantém foco na verificação de eventuais sobrepreços, direcionamentos em licitações e contratações irregulares na área da educação. A expectativa é que a análise dos materiais apreendidos, aliada aos depoimentos e à sindicância interna em Sumaré, avance no esclarecimento de como se deram as compras públicas e qual foi a participação de cada elo, público e privado, na contratação da Life Tecnologia Educacional.

Enquanto isso, as administrações de Hortolândia e Sumaré afirmam colaborar com as autoridades e sustentam que seus procedimentos seguem a legislação vigente. As próximas decisões judiciais, especialmente sobre a situação do vice-prefeito de Hortolândia, e a divulgação de possíveis laudos da PF e da CGU, devem pautar os próximos capítulos da Operação Coffee Break.