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Hospital Seara em Americana: prefeitura ‘lava as mãos’ e mantém repasses suspensos após prejuízo de R$ 2 milhões

Hospital Seara enfrenta risco de fechar, com atendimentos parados, 139 leitos desativados e incerteza sobre reabertura, enquanto município alega impedimento legal para custear reformas

O Hospital Seara, referência em saúde mental em Americana, SP, vive a fase mais crítica de sua história. A instituição filantrópica, com mais de 60 anos de serviços prestados, teve as atividades suspensas após um temporal em 22 de setembro destelhar parte da estrutura, derrubar muros e interditar setores inteiros. A Defesa Civil bloqueou três áreas por risco de desabamento, e o atendimento foi interrompido.

O prejuízo estimado é de R$ 2 milhões, agravando um cenário já marcado por dívidas e pela demissão da maioria dos funcionários. Sem receita garantida e com os convênios suspensos, o Hospital Seara depende hoje de doações e de ações beneficentes para sobreviver, enquanto enfrenta o risco real de fechamento.

Temporal danifica estrutura do Hospital Seara e paralisa atendimentos

O vendaval de setembro atingiu diretamente a infraestrutura do Hospital Seara, provocando estragos em telhados, muros e setores assistenciais. Com áreas interditadas e equipamentos comprometidos, a direção não conseguiu manter a rotina de acolhimento de pacientes, o que paralisou o fluxo de internações e o funcionamento do hospital-dia.

Em entrevista ao O Liberal, o diretor do hospital, José Getúlio Thuler, afirmou que a recuperação exigirá investimentos altos e que ainda não há previsão certa de retorno. Segundo ele, a reabertura “pode ser de quatro a sete meses”. Enquanto isso, a instituição mobiliza a comunidade, organizando uma campanha de arrecadação via Pix e eventos beneficentes, como a Feijoada na Fidam em novembro, para viabilizar obras e evitar a interrupção definitiva do serviço.

Antes da crise, o Hospital Seara ofertava 139 leitos psiquiátricos, dos quais 94 pelo SUS, além de hospital-dia e internações particulares. O convênio com a Prefeitura de Americana previa 17 leitos.

Prefeitura de Americana mantém repasses suspensos e cita impedimento legal

A posição do Executivo municipal, criticada por parte da população por supostamente “lavar as mãos” diante da crise do Hospital Seara, foi explicitada em entrevista do chefe de gabinete Franco Sardelli, filho do prefeito. Em declaração que repercutiu nas redes, ele afirmou: “Nós não vamos aumentar a diária porque caiu o teto do Seara. O Tribunal de Contas vai chegar e falar, ‘pô você pagava 10 mil por internação e agora está pagando 40. O que tem a ver uma coisa com a outra? Não tem nada a ver, é uma entidade privada”.

Em nota enviada após questionamentos do Notícias de Americana, a Prefeitura informou que o convênio com o Hospital Seara foi renovado, mas tem cláusula suspensiva que impede repasses enquanto não houver retomada integral dos serviços. A administração destacou, textualmente: “Atualmente, o hospital não está realizando os atendimentos previstos no convênio. Diante disso, a cláusula suspensiva permanece em vigor, e os repasses financeiros estão temporariamente interrompidos até que o hospital retome integralmente os serviços acordados”.

A Secretaria de Saúde acrescentou que não possui autorização legal para custear obras ou reformas em entidades privadas, e que as demandas de internação psiquiátrica da rede municipal estão sendo absorvidas pelo Siresp, o sistema que direciona pacientes para hospitais estaduais. Mesmo com os repasses interrompidos, a pasta disse que “segue acompanhando a situação e mantém o compromisso de garantir a assistência aos pacientes que necessitam de cuidados de saúde mental”.

Rede de saúde mental sob pressão e a mobilização para salvar o Hospital Seara

Com a interrupção dos atendimentos no Hospital Seara, a rede de saúde mental de Americana e da região enfrenta pressão adicional. A indisponibilidade imediata de 139 leitos, incluindo 94 vagas pelo SUS, representa um impacto direto no acesso a internações psiquiátricas, sobretudo nos casos agudos que exigem atendimento contínuo e especializado.

Enquanto a Prefeitura centraliza a regulação via Siresp para hospitais estaduais, familiares e trabalhadores relatam apreensão com o risco de desassistência local. O convênio municipal, que garantia 17 leitos no Seara, é apontado por técnicos como peça importante no cuidado em saúde mental do município, por oferecer alternativa rápida e próxima para acolhimento de pacientes.

Sem a retomada dos repasses e sem autorização legal do município para investir em obras, a sobrevivência do Hospital Seara depende do êxito da campanha de arrecadação e da adesão de parceiros. A direção reafirma que o custo da reforma é elevado e que o cronograma de reabertura é incerto, repetindo que pode levar de quatro a sete meses para devolver o serviço à população.

Nesse cenário, a combinação de ajuda comunitária, definição sobre o futuro do convênio e priorização da saúde mental na política pública local será determinante para que o Hospital Seara não encerre suas atividades após mais de seis décadas de atendimento a Americana e região.

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